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No meu trabalho fotográfico a autoria é hoje o único imperativo e razão, tendo eu o privilégio de fotografar por paixão e como quero. A minha actual liberdade criativa pauta-se entre o caos de criar e o rigor do método e técnica, sendo conquista de todo o meu percurso pessoal e os 22 anos de trabalho como fotógrafo.

Autoria

Nunca deixando a escrita (minha primeira linguagem criativa e técnica), ao longo dos anos a fotografia tem-se naturalmente sobreposto, havendo trabalhos em que as duas se fundem numa única linguagem/mensagem. Pouco a dizer sobre a minha escrita, é para ser lida e o seu denominador comum parece-me o mesmo da fotografia.
Apesar de também exercer a teorização, ensino e divulgação da fotografia, não deixo que os temas ou estilos limitem a minha autoria. Fotografo e escrevo o que me chama e da forma que o sinto e quero, conquistando-o através de uma forma de estar pessoal, cultura e "um certo autismo".

O fotografar e editar

Fotografar são os mágicos momentos em que tomo a linguagem e forma no sentimento, ideia, luz e objecto. Livre de escolha, a minha linguagem prima é o preto e branco, tendencialmente o meu trabalho assumindo 3 temas/abordagens: Mulher, Formas e Momentos.

Fotografo nus e retratos da mesma maneira: com a Mulher. Considero que os meus verdadeiros retratos são a nu, visto enquanto "retrato de corpo inteiro" em que a essência de cada mulher se liberta pelo momento, corpo e expressão. Por isso, trabalho prioritáriamente com mulheres "anónimas" e não modelos fotográficos, sendo cada mulher única e própria. Tão importantes quanto os critérios psicológicos e fisícos de escolha, são o trabalho de expressão e empatia que desenvolvo com essas mulheres: tudo se passa numa conversa a dois que a câmara regista. Nas minhas sessões fotográficas continuo a fotografar como no analógico, tornando-as reais e construindo cada momento sem contar com as possibilidades da manipulação digital. O momento e tudo o que nele se passa são reais, e como as emoções e formas que aí transparecem, o que está é o que fica. Por isso toda a produção e dominio da fotografia são tão importantes no meu trabalho. Não sendo fundamentalista, sigo este método por sentimento, desafio e satisfação pessoais, fotografando "plano" na câmara digital e depois "revelando" no computador. Aí, passo a imagem para preto e branco, ajustando os níveis, contraste, e por vezes o enquadramento e a luz de uma ou outra zona.
Com um percurso de 19 anos em analógico, habituei-me a fotografar "já finalizado", em diapositivo e negativo preto e branco (35 m/m ou médio formato). Muito excepcionalmente utilizei negativo de cor, desde o ínicio tendo lançado a mim mesmo o desafio de fotografar a preto e branco como em diapositivo. Cumpri esse desafio, e passei a fazê-lo em grande parte das vezes fotografava, já antevendo a revelação que daria ao negativo no meu próprio laboratório a preto e branco. Mesmo em digital, fotografo a pensar a preto e branco, depois na edição digital convertendo o ficheiro original de cor de acordo com o que visualizei e a própria imagem me revela.
Não faço qualquer distinção entre as Formas, sejam arquitecturais, naturais ou femininas, vendo nelas a pureza da estética e a essência das linhas, tons, e por vezes cores.

Os Momentos que registo são como um diário em que guardo coisas, impressões, visões, sonhos e manifestos pessoais, sem imperativos de tema ou técnica. Aqui não ponho regras ou limites, sendo o desafio apenas a fotografia final. Levando a edição ao ponto que me apetecer no momento: "vale tudo".

Muito ocasionalmente, "visito" a arte digital de um pincel ou ampliador, manipulando a fotografia e criando declarada e explícitamente uma nova imagem, em trabalhos fácilmente identificáveis enquanto manipulados.

Trabalho, método e equipamento

Tornando possível toda esta alquimia, estão os "invísiveis": produção, método, técnica e trabalho duro, onde os meios técnicos são vitais. Vindo da película e laboratório em que revelava e ampliava os meus trabalhos até à exaustão, e da caneta e papéis que se amontoavam interminávelmente por todo o lado, as tecnologias do digital, informática e internet revolucionaram a minha forma de trabalhar desde que aderi definitivamente ao digital há 3 anos atrás. Hoje, em digital, todo o trabalho é muito mais imediato, manipulável, fiável, compatível e económico, permitindo uma liberdade criativa e fluxo de trabalho sem precedentes.

No equipamento fotográfico, o mais importante para mim é que me dê qualidade de imagem, seja fiável e adaptado à minha forma de trabalhar. A simplicidade conta, e ao longo da minha experiência em sucessivas áreas da fotografia, desenvolvi as minhas fórmulas pessoais.
Em câmaras, divido a minha preferência pelas slr e compactas, conforme o momento e objectivo. No dia a dia ando sempre com a minha compacta HP Photosmart R967, que com a sua pequena dimensão e peso me dá a facilidade de ter sempre uma câmara à mão e registar os meus diários fotográficos. Embora não seja uma máquina profissional, os seus 10 megapixeis, zoom, e a opção de escolher os modos manual/prioridade à abertura cumprem perfeitamente a sua função.
Para o meu trabalho nas sessões fotográficas, uma Minolta D7 dá-me qualidade e fiabilidade. Em termos de objectivas prefiro as focais fixas, tendo preferência pelo equivalente a uma 85 m/m, e abrindo a excepção para o meu zoom equivalente a 24-48 m/m.
Em termos de iluminação de estúdio ou enchimento, utilizo sempre luz contínua, com projectores na sua maioria Hedler, excelentes na qualidade, resolução e continuidade da luz, para além de muito resistentes e com uma boa gama de caixas de luz e acessórios. Prefiro a luz contínua pela sua fluidez e a capacidade que desenvolvi em trabalhar com ela de uma forma instintiva e rápida, potenciando as minhas opções e a qualidade na iluminação.
Trabalhando tanto em exteriores quanto em ambiências ou estúdio, utilizo (ou não) ainda uma série de reflectores, difusores, girafas, tripés e outros acessórios que possibilitam uma sessão fotográfica em que decido o que quero fazer, esteja onde estiver.

O computador, a par de um canivete suiço, é hoje um dos melhores amigos do fotógrafo no seu trabalho fotográfico e produção (todo o trabalho anterior que possibilita o fotografar, e o posterior na exposição, publicação e divulgação dos trabalhos). Acrescentando a presença na web, apresentações, arquivo e o restante trabalho satélite à actividade fotográfica, um enorme peso técnico e administrativo que é largamente minorizado e sistematizado pelos meios informáticos.
Mobilidade, versatilidade, potência e fiabilidade são os denominadores para a minha escolha de equipamentos informáticos, daí ter optado por 2 soluções dos equipamentos HP:
-Potência e fiabilidade máximas numa workstation de alta gama, com motherboard última geração, processadores Duocore, 4 Gb de memória RAM, placa gráfica Nvidia Quadro FX 4500 de 512 MB e 2 discos rigídos SAS a 15.000 rotações /minuto. Como écran, optei pelo modelo digital de 30 polegadas e 2560X1600 pixels de definição.
-Mobilidade, potência e versatilidade com um Notebook topo de gama com Duocore, 2 GB de memória Ram e écran de 17polegadas e 1680X1050 pixels de definição, a juntar a uma série de capacidades como gravador de dvd, wireless, etc etc.
Em ambos os computadores utilizo software Adobe, com os programas Photoshop CS3, Ligthroom, Studio 8 e Acrobat, que me optimizam e potenciam o trabalho fotográfico e de produção.
Complementando, utilizo discos rigídos externos para 1º backup e trabalho, bem como um de maior capacidade para 2º backup. Para o trabalho de escritório e arquivo, um all-in-one HP Photosmart proporciona-me scaner, fotocopiadora, fax e impressora de textos e fotografias como base da produção.

Sendo para mim a impressão o destino final das minhas fotografias, e onde realmente as posso apreciar e partilhar e todo a sua essência e característica, exigo a maior qualidade, fiabilidade e duração, optando eu pelo sistema que hoje melhores resultados me proporciona, a par de fluidez e rentabilização do trabalho. Assim, de acordo com o trabalho em questão utilizo as impressoras HP Z3100 e Photosmart Pro B8190, que combinadas com as tintas pigmentadas HP Vivera e os papéis fotográficos HP e HP de belas-artes Hahnemühle (até 310 gr/m²), garantem-me:
-Cores reais, precisas e consistentes, com perfis e análise interna da cor, com 12 tinteiros para a Designjet Z3100 e 8 tinteiros para a Designjet Z2100 e Photosmart Pro B9180.
-Preto e branco total, impresso exclusivamente com tinteiros de cinzentos e pretos (4 para a Designjet Z3100 e 3 para a Designjet Z2100 e Photosmart Pro B9180).
- Máximo detalhe na fidelidade aos ficheiros fotográficos originais, em impressões com até 1118 mm de largo.
-Secagem rápida e impermeabilidade das impressões, sem necessidade de acabamento após impressão.
-Impressões com uma duração superior a 200 anos, certificada por norma ISO.

Sendo parceiro da HP e Adobe, a minha escolha nas parcerias e equipamentos/soluções destas marcas é resultado da qualidade e sua adaptação à exigência do meu trabalho e minha forma de trabalhar, bem como nos objectivos comuns para com a fotografia, na sua dignificação e promoção.

O percurso

Sendo o meu presente resultado de um percurso pessoal e profissional, a minha fotografia surgiu aos 17 anos, na sucessão da compulsiva expressão que sempre tive, e até então saciava com o desenho, escrita e "projectar" de invenções. Aluno bem sucedido a artes, ciências e letras, as opções sempre foram múltiplas até ao dia em que despreocupada e ocasionalmente peguei numa câmara pocket para fotografar um pôr do sol. Ao ver a fotografia revelada decidi ser fotógrafo. Munido de uma Nikon F e uma 28m/m comecei. Três anos depois o Ministério do Trabalho atribuía-me a carteira profissional de fotógrafo.

Desde o início trabalhando como fotógrafo free lancer em fotografia técnica e comercial, comecei por me especializar em arquitectura e interiores (a minha primeira escola de iluminação, produção e estética), acrescendo depois com a fotografia de obras de arte, turismo, retrato e publicidade. As áreas da fotografia foram-se cruzando e sucedendo naturalmente, levando-me a aprender, experimentar e exigir cada vez mais de mim. Tanto a nível técnico, quanto estético ou da produção, cada novo trabalho apresentou-se-me sempre como um desafio e uma oportunidade/razão para eu aprender coisas novas. Pelos meus 8 anos de trabalho profissional, as diversas áreas e temas da fotografia em que trabalhei começaram a esgotar-se no meu interesse, por essa altura fotografando o meu primeiro nu.
Circunstancialmente, pela altura em que a fotografia deixava de ser um desafio para mim, conheci a Cristina Fialho; relação imediata e intensa de amor, paixão e cumplicidade que despertou em mim um imparável impulso de a fazer tema da minha fotografia. Relembrei-me dos trabalhos de Sieff, Newton, Avedon, Weston e outros grandes fotógrafos que desde a infância admirei nas páginas da Photo e Zoom, revistas que mensalmente chegavam a casa dos meus pais. A sua estética e mestria acompanhou-me sempre no percurso profissional, e penso que no dia em que senti que estava apto a "ser mais" como fotógrafo e a paixão máxima surgiu, instintivamente segui pela minha primeira e mais marcante impressão com a fotografia: o nu.
Reapaixonei-me pela fotografia, reencontrei o gosto pelos meus diários fotográficos, que me haviam feito seguir a fotografia aos 17 anos, e junto com a minha musa iniciámos um caminho de trabalho em nu fotográfico. Na evolução do nosso caminho desenvolvemos novas maneiras de trabalhar, tanto ao nível da fotografia como da produção e modeling. Ensinando expressão e método às mulheres com quem queriamos trabalhar enquanto modelos, atingimos uma forma própria de trabalho com todas as suas fases à nossa medida e vontade.
Durante alguns anos mantivemos a fotografia técnica e comercial em paralelo, de forma a financiar a autoria, para de alguns anos a esta parte fazermos só o nosso trabalho.

Passados 13 anos do que começámos, dividimos grande parte dos conceitos e produção sem conseguirmos (ou querermos) perceber na totalidade onde cada um começa ou acaba. No princípio e no fim de cada trabalho da simbiótica cumplicidade com a Cristina está a minha fotografia; produto do fotógrafo mas também de toda uma ideia e trabalho conjuntos. Sempre entendi que um fotógrafo deve ser o mais completo e multifacetado possível, no entanto, tentando ser exímio no que faz e procurando novas ideias, métodos e caminhos. Muito raramente uma fotografia assinada pelo fotógrafo é apenas daquele nome, embora seja ele o centro e razão da sua existência. Uma fotografia apurada resulta da personalidade, emoção, instinto, cultura de arte/fotografia, perseverança e trabalho duro do fotógrafo, combinados com as parcerias que estabelece, as influências que recebe, a equipa ,o tema que escolhe... o somatório de toda a sua vida.